terça-feira, 15 de abril de 2008

HABEMUS PAPAM !!

Habemus Papam !! Temos um novo reitor pro tempore para a UnB. A universidade, que estava em crise de representatividade e legitimidade denunciada corajosamente pelo Movimento Estudantil, está nas mãos de um nome indicado pelo CONSUNI para o MEC em uma forma um tanto quanto discutível: sem a elaboração pelo CONSUNI de critérios políticos de gestão para a sua indicação. De fato, seu nome foi deliberado principalmente em função de seu passado acadêmico.

O MEC já aceitou seu nome. Além do passado acadêmico também foi secretário de Segurança Pública de governos do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. O Movimento Estudantil tem de apostar no novo reitor de forma que canalize os anseios da comunidade acadêmica da universidade e reconduza a mesma para sua real refundação. E isso significa a PARIDADE e o CONGRESSO ESTATUINTE PARITÁRIO. Aparentemente na reunião do CONSUNI o novo reitor se mostrou favorável à discussão sobre a paridade, mas indagado pela Globo sobre a paridade, se omitiu. O Movimento Estudantil está de olho.

Em tempo: o papa Ratzinger (Bento XVI) é carinhosamente apelidado de Rottzweilinger pelo clérigo oposição na Europa. Esperamos que isso não aconteça de forma semelhante na Universidade de Brasília e damos um voto de confiança no novo reitor com os pontos da pauta da ocupação e a condução para novas eleições justas e democráticas.

7 comentários:

Aninha Carol disse...

Combinemos que o CONSUNI não teve tanto tempo pra testar a capacidade administrativa do reitor, né? Obviamente tinham de adotar um critério já testado, e pq n o passado acadêmico?

Aninha Carol disse...

Ah, visto que ele também foi secretário de segurança público, não só o passado acadêmico foi levado em consideração, né? Digo mais: pela redação do post, o voto de confiança não foi muito confiante, ou talvez não muito paritário, hein?

Nemetscek disse...

Mas e desde quando ser secretário de segurança deveria ser um critério justo para testar a capacidade administrativa para um reitor...?

Prototipo disse...

Autonomia e conversa mole autoritária
Há pouca coisa no Brasil tão mal compreendida e porcamente aplicada quanto a tal “autonomia universitária”. Seu fundamento é impedir que a universidade se transforme num braço do poder de turno, submetendo-se a exigências que estejam fora da pauta acadêmica e da pesquisa científica. E isso, é evidente, está correto.

Mas o princípio está submetido a dois desvios em si distintos, mas combinados. A, chamemos assim, neutralidade científica cede à razão (ou “desrazão”) teórica de grupelhos e grupos de esquerda — alguns deles, como é o caso hoje em dia, no poder. Assim, o que antes era independência se torna subordinação intelectual. Não precisamos ir muito longe: a vasta produção de espuma teórica — porque não era ciência — da universidade nos oito anos de governo FHC foi substituída pelo silêncio dos intelectuais nestes pouco mais de cinco anos do governo Lula. Ao contrário até: a crítica sistemática ao poder cedeu lugar aos encômios feitos ao demiurgo. Eventuais críticas, quando há, buscam sempre uma saída à esquerda.

Um caso salta aos olhos: a universidade cedeu à chamada política das cotas sem nenhuma reflexão, sem produzir um miserável documento acadêmico relevante, sem pensar minimamente a sua aplicação no Brasil levando-se em conta o que aconteceu e acontece em outros países que adotaram mecanismo semelhante. Nada. Viu-se apenas a adesão à agenda oficial. Só para lembrar evento escandaloso na própria UnB, chegou-se a aceitar e rejeitar candidatos à cota com base numa fotografia 3 x 4. Em vez de autonomia, subordinação à agenda de grupos organizados — no caso do petismo, um grupo incrustado no aparelho de estado.

O outro desvio é mesmo de natureza ética, combinado com a moral frouxa de boa parte de nossos esquerdistas: não resistem, vejam que coisa, à sedução do dinheiro, um traço que estão sempre a censurar na tal “sociedade de consumo” que dizem odiar com tanta força. Podendo dispor à vontade de recursos, com uma prestação de contas frouxa, gastam à vontade e mal. E ai de quem tente lhes pôr freios! Logo gritam: “Estão querendo interferir na autonomia universitária!”

Acompanhei isso de perto aqui em São Paulo, quando as três universidades estaduais resolveram se mobilizar contra medidas do estado. A principal questão, a que mais pegou, a que realmente indispôs a burocracia universitária com o governo não foi aquela panacéia de “mais atenção à pesquisa aplicada do que à pesquisa básica”. Essa era a aparência nobre de um outro desconforto: o governo queria que as universidades fizessem o que fazem todas as outras instâncias do estado: tornar públicos os seus gastos.

Ora, por acaso a “autonomia” livra a universidade de agir segundo os princípios de moralidade e transparência a que estão submetidos, ou devem estar, os demais órgãos do estado? A “autonomia” lhe concede o direito de não prestar contas à sociedade sobre as suas prioridades? Quem quer experimentar esse grau de independência tem de gerar os próprios recursos, não é mesmo?

É preciso dizer “sim” à autonomia e “não” à anarquia autárquica.

Prototipo disse...

UnB – E prossegue o outono da anarquia
E prossegue o outono da anarquia na Universidade de Brasília. O Conselho Universitário vai apresentar ao ministro da Educação, Fernando Haddad, uma lista tríplice para que ele escolha o reitor temporário da instituição. Estão na lista Roberto Aguiar, professor aposentado de Direito e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal; Lourdes Bandeira, professora de Sociologia, e Gileno Marcelino, professor de Administração.

No Correio Braziliense de hoje, lê-se a seguinte afirmação do ministro Haddad: “O movimento dos estudantes é legítimo, conseguiu apoio social para atender suas reivindicações, mas há um limite. O risco dos estudantes é transformar uma bela vitória numa derrota”. Como se vê, ele não está tentando articular uma saída nos limites da lei. Comporta-se como parte militante do processo. Mais experiente do que os Remelentos & as Mafaldinhas, apenas pede prudência para manter os avanços.

A principal reivindicação dos invasores é que estudantes, funcionários e professores tenham o mesmo peso na eleição direta para reitor, o que é de uma palmar estupidez. O procedimento abre caminho para toda sorte de demagogia, já que os “candidatos” ou fazem campanha eleitoral ou aderem à agenda política de estudantes e funcionários: os primeiros, até onde acompanho, estão lá para aprender; os outros têm uma pauta de natureza corporativa, como costumam ser as reivindicações sindicais. E serão eles a decidir os destinos de uma instituição universitária?

A UnB só chegou a essa miséria legal, diga-se, porque é, das universidades brasileiras, a mais porosa à esquerdopatia, que põe o discurso da reparação acima das exigências acadêmicas. Timothy Mulholland era uma pérola desse pensamento. Na sua gestão, as esquerdas deram as cartas. Cometeu, claro, alguns desvios, como direi?, pequeno-burgueses (como costumam fazer os amigos do povo). E, como sempre há a “esquerda da esquerda”, acabou se dando mal.

Luiz fabio disse...

Fico muito desconfiado com este novo Reitor...

Acho impotantíssimo que a Ocupação continue, pois o Movimento está com muita força e tambem muita repercussão na mídia, n temos porque desocupar se apenas uma reinvidicação foi atendida, mesmo considerando-a uma GRANDE VITÓRIA (não é qualquer coisa, á muito tempo o ME não derruba uma estrutura de Poder como uma REItoria Federal).

Animo Companheir@s!

Ocupar, Ocupar, para não privatizar!

Eleições e congressos paritários já!

Fora Fundações Privadas das Universidades!

Ampla Discussão e plebiscito sobre o REUNI!

Anarkiisto disse...

A exoneração do reitor da UnB é mais um exemplo de como são tratados pobres e ricos e como nós devemos aproveitar dessas brechas.

"É a elite que lidera esses movimentos". Com essa frase são justificados vários movimentos vitoriosos, ou parcialemnte vitoriosos, como no passado, quando Collor foi deposto, e agora, ou quando o Reitor da UnB renuncia, novamente ela aparece.

Em alguma matéria que li, os críticos da ocupação da UnB justificam, com certa razão, que a reitengração de posse da reitoria da UnB, com a polícia decendo o pau, só não foi a frente porque entre os estudantes haviam muitos filhos das elites. Se fosse uma reitegração do MST já tinham tomado porrada antes mesmo da reitegração ser assinada.

Não pegaria bem (para eles) um filho de juiz ou empresário, sair machucado ou preso e o pai ter que usar sua influência para libertar o pobrezinho. Seria muita exposição e aparente falta de controle sobre sua prole.

Para uns isso parece ruim. Mas, analisando mais profundamente o sentido desse título, podemos observar, ironicamente, como mudar a sociedade com a ajuda das elites.

Isso é coisa de pelego! Algum "revolucionário" de prontidão precipitadamente bradará. Em alguns caso isso é verdade. Por exemplo, na saída de Collor de Melo, sendo substituído por Itamar Franco na presidência do Brasil. Para alguns mais foi trocar seis por mais dúzia. Para outros, um pegueno avanço.

Se olharmos para trás e avaliarmos desde as revoluções Espanhola, comuna de Paris, Ocupações de fábricas e Universidades, vemos que é fundamental ter jovens ou velhos das elites nos apoiando, assim como conseguir a simpatia de outras camadas da sociedades, desde índios e indias, quilombolas, mulheres, etc.


Ora, isso, na minha opinião isso é um fato bom! Já pensou as ocupações do MST ou ocupações urbanas com filhos da elite? Já pensou essa prole se revoltanto contra os seus pais, mesmo que fosse só de rock? Do jeito que as coisas andam, nem para rokear essa galera vai as manifestações. Se fosse em massa, seria o estopim de uma nova sociedade.

Costumo dizer que para um movimento ser alavancar, temos que ter nos seus quadros, homens e mulheres, jovens e adultos, dos 8 aos 80 anos! Como é muito difícil formar esse quadro, a maioria dos movimentos não decolam.

Todos sabem que vários movimentos de ocupações em que estudantes estejam apoiando, tem vitórias parciais garantida. É uma propriedade Física da soma de forças.

Como diria um amigo meu: "é melhor um playboy aliado dio que aliendo!

O que realmente se pode lamentar, é quando essa elite esta ligada a partidos políticos, com fins apenas aleitoreiros. Isso temos que ficar ligados.

Abraços
rene