sábado, 12 de abril de 2008

Acabar com os privilégios e defender a UnB

Fábio Felix - Coordenador Geral do DCE/UnB
Qui, 10 de abril de 2008 06:31

O afastamento imediado e definitivo do Reitor da Universidade de Brasília, a democratização de seus espaços institucionais e a saída das fundações de apoio são as pautas que hoje provocam mais debates na UnB, além dos argumentos frágeis dos defensores de Thimothy sobre "a conspiração da mídia".
Nos últimos dias a crise que paira em torno da atual cúpula administrativa da Universidade de Brasília se agravou profundamente. O primeiro passo das investigações constatou o que muitos na universidade já imaginavam, um esquema milionário que envolve a FINATEC (Fundação de empreendimentos científicos ligada à UnB). A fundação gastou várias cifras do seu farto caixa bem longe de sua finalidade essencial (estatutária) , e pra piorar decorou o apartamento funcional do Reitor com uma mobília digna de um palácio real, com a justificativa de atender ao “nível da Universidade de Brasília”.
O escândalo repercutiu nos principais meios de comunicação nacionais e mobilizou diversos estudantes, professores e funcionários da instituição à protestarem contra a "gastança" do dinheiro público longe do investimento em educação e pesquisa. Com o agravante de estar bem distante da realidade que vive hoje a UnB, a universidade que possui diversos problemas de estrutura, falta de investimentos em assistência estudantil, uma moradia estudantil caótica, falta de professores, funcionários e etc. Uma infinidade de problemas poderiam ser citados e debatidos horas, pois a ausência de recursos para financiarem as universidades públicas é um problema estrutural que atualmente não parece ter solução, com as prioridades deste Governo.
Os privilégios foram a marca encontrada nas investigações do Ministério Público do Distrito Federal, desde os gastos com o cartão corporativo da universidade, até as contas de restaurantes caros pagos com verba da Editora UnB. A indignação de estudantes de diversos cursos, e as iniciativas rápidas do DCE (Diretório Central dos Estudantes) foram capazes de mobilizar a UnB, que nas primeiras duas semanas de aula, ocorreram três manifestações pedindo a saída de Thimothy e também das fundações ditas de apoio. Basta perguntar, quem as fundações apóiam. Estas que nos últimos anos se multiplicaram nas universidades públicas, e que só a UnB possui seis delas, que utilizam capital material, estrutural e humano da universidade e com sua estrutura jurídica permitem privilégios e abrem o caminho para burlar as licitações.
Mas para alguns professores e “nomeados” que estão enraizados há anos (décadas) na cúpula administrativa da UnB esta crise seria apenas um "ataque brutal da imprensa à UnB e até a universidade pública". Os principais defensores da atual gestão da universidade e desta tese de “conspiração” são por coincidência os que ocupam cargos altos ou os que têm os maiores financiamentos em seus projetos e pesquisas. Os atores responsáveis por esta ofensiva à UnB seriam a "direita" em aliança com o PSOL/PSTU que "forjou" esta crise institucional. O que os ideólogos da Reitoria parecem não perceber é que quase todas as forças políticas pedem a saída de Thimothy. As falas mais oportunistas do Senador do PSDB, Álvaro Dias até políticos do PT, PCdoB, PMDB e etc. A UNE (ligada ao PCdoB e PT) lançou um manifesto pedindo a saída do Reitor, oportunismo sim, mas golpe da mídia contra o ilibadíssimo Reitor da UnB, Não!
Algumas forças políticas nacionais deram uma resposta à opinião pública, só pra não deixarem de se pronunciar, outros fizeram com coerência o que sempre defenderam e pediram o afastamento do Reitor e o fim das fundações de apoio nas universidades públicas brasileiras. A “teoria da conspiração” contra Thimothy parece ser a formulação mais oportuna para frear a crise na universidade.
Estudantes, Professores e Funcionários da Universidade de Brasília estão cansados de privilégios para um grupelho de professores, que "luxam" com o dinheiro que deveria ser investido nas condições de ensino, pesquisa e extensão. Não há espaços para aqueles que tem golpeado a nossa universidade com gastança, autoritarismo, e uma política privatista e que agora quererem resumir a crise como "golpismo da imprensa nacional e de todas as forças políticas contra o Magnífico". Não é tolerável e nem aceitável que intelectuais que dedicaram suas vidas a uma construção teórica profunda cumpram este papel tão baixo, mesquinho e hipócrita!
Defender Thimothy não é defender a UnB! Defender a UnB é exigir auditoria nas contas da universidade, nas contas do CESPE e de todas as fundações. Defender a UnB é lutar pela democracia com paridade na composição dos conselhos deliberativos, nas eleições para Reitor e em todos os fóruns. Defender a UnB é não compactuar com estruturas que permitem corrupção e privilégios dessa forma exigir o fim das fundações de apoio. Defender a UnB é lutar com afinco por verbas para universidade e ter mecanismo de controle reais dos gastos. Defender a UnB é denunciar que a política educacional do Governo (Reforma, REUNI, PROUNI e etc) tem precarizado profundamente o ensino superior público brasileiro. Defender a UnB é defender a saída imediata e definitiva de Thimothy e de sua cúpula dirigente!
Fábio Felix - Coordenador Geral do DCE/UnB

2 comentários:

Prototipo disse...

Remelentos & Mafaldinhas da UnB se revelam
Vocês viram que não dei trela pra turma que invadiu a reitoria da UnB, ainda que o tal Timothy Mulholland não tivesse condições de continuar no cargo. Recomendo, para tirar a turma de lá, o mesmo que recomendei no caso da USP: Polícia. Aqui, eu chamava a PM de “democracia de uniforme”. Lá, chamo a PF de “democracia de colete preto”. Lei é para ser seguida, por mais que esse princípio cause estranheza a Tarso Genro, que está se revelando um ministro da Justiça de mão cheia.

Pois bem. Os Remelentos & Mafaldinhas, agora os de Brasília, decidiram ampliar a sua pauta de reivindicações. Querem mudar os estatuto da UnB, além de afastar o vice-reitor, Edgar Mamiya, e mais cinco decanos. E isso é pouco.

"Queremos que os alunos tenham participação paritária em todos os conselhos da universidade. Hoje, a participação dos estudantes vale menos que a dos professores". Que injusto! Onde já se viu, numa universidade, a pessoa que ensina ter mais influência do que a pessoa que aprende??? Isso é uma inversão completa de valores, não é mesmo? A frase entre aspas é de Karla Gamba, coordenadora-geral do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e aluna de Artes Cênicas. Artes cênicas? Se virar atriz, sua primeira reivindicação será enforcar os diretores de teatro...

Huuummm...

Os invasores também querem que os votos de professores, alunos e funcionários tenham o mesmo peso na eleição direta para reitor. Não é demais? Os doutores, a tia do cafezinho, o jardineiro e o estudante decidirão, em conjunto, quais são as prioridades da universidade. É justo!

— Companheiro Faxineiro e Companheiro Segurança, na opinião de vocês, devemos dar prioridade à pesquisa básica ou à pesquisa aplicada?
— Veja bem, Companheiro Professor, à luz da necessidade dos funcionários, nós entendemos que a pesquisa básica etc, etc, etc.

Desnecessário dizer que, segundo os critérios dos valentes, os alunos sempre elegeriam o reitor. Quem entrasse para aprender já chegaria instruindo e dando as diretrizes de quem está lá para ensinar e para fazer pesquisa. Hoje, o voto dos professores tem um peso de 70%, e os dos estudantes e funcionários, de 15% cada.

A eleição direta, mesmo com a ponderação acima, já caracteriza um descalabro. Digam-me uma única universidade respeitável no mundo, pública ou privada (pertencente a fundações), que seja dirigida por um “delegado” dos alunos.

“Ah, mas olhem lá o que eles fizeram”, poderia objetar alguém. Pois é: a UnB só chegou àquele grau de desmando por conta do “democratismo”. Há muito tempo a universidade não é gerida pelos mais aptos, como seria o desejável, e sim por aqueles que conseguem se fazer mais influentes junto aos grupos militantes que a assombram. Mulholland se mantinha no cargo seguindo religiosamente a pauta das esquerdas. Agora elas querem avançar.

adaltoserra disse...

Prezado Fábio Felix, tenho acompanhado sua liderança à frente deste movimento e, devo confessar, que poucos reparos tenho a fazer à sua atuação. Parabéns a você e a todos os estudantes da UnB.
No entanto, gostaria de fazer alguns reparos, em nome da justiça, à nota de sua autoria apresentada no Blog “Ocupaçãoreitoria”:

1) É injusto não reconhecer o papel de todos os reitores das Universidades Federaias, pós 1968, na implantação do Decreto Lei 477/69 que, em suma, contém dois objetivos: esterilizar o pensamento universitário e privatizar o ensino. Não tem sido tarefa fácil, dado à resistência dos estudantes!
2) É injusto não reconhecer no ex-Reitor da UnB Cristóvão Buarque (ex-BID, ex-ONU, ex-UNESCO, ex-PDT, ex-Governador DF, ex-PT e atualmente PDT e futuramente, só Deus sabe, mais, seguramente, ligado aos projetos capitalistas para a educação) como a figura emblemática deste processo, executor confiável das diretrizes do Banco Mundial no comando da UnB/GDF/MEC. O ex-reitor contribuiu decisivamente para a atualização e modernização desta política, à luz da globalização e da hegemonia perene capitalista, assegurando que, a Universidade e o ensino devam responder às necessidades empresariais e do mercado. As demandas sociais o bolsa escola dará conta ou então, a repressão policial a conterá!
3) É injusto não datar o início concreto do processo privatista da UnB no distante ano de 1985, inaugura-se então a gestão do professor Cristóvão Buarque e da construção do “cristovismo” e, este a governa desde então. O professor Cristovam, o “Cezar” de todos os reitores sucedâneos, aprendizes de feiticeiro, senão, vejamos alguns implementos políticos de sua gestão:
3.1 Em 1986 o CDT é constituído. A UnB passa a ser um uma espécie superior do SEBRAE, despreza-se a ciência, busca-se os talentos empreendedores no meio discente e docente. Alunos e professores deixam sua função precípua e passam a capacitar-se para servir ao mercado. O sucesso desta política é emblematicamente representado pela consecução da majestosa sede do CDT no Campus, está pronta, brevemente será inaugurada, não percam!
3.2 É na sua gestão que acontece a “concessão/permissão/doação” de uma área do Campus ao empobrecido ex-piloto de F1 Nelson Piquet para implantar da rica empresa AUTOTRAC, inaugurada em 1994, (lembre-se que o autódromo de Brasília foi concessionado ao mesmo Piquet em seu mandato a frente do GDF). Não tenho notícia de tanta generosidade com o patrimônio público!
3.3 É na sua gestão que as sub-fundações da FUB materializam-se, notadamente a FINATEC. A gestão Timothy é o corolário da política: eu arrecadei tenho direto a um pequeno naco!
3.4 É na sua gestão que acontece o processo de terceirização dos servidores da UnB!
4) É injusto não reconhecer o professor Cristovam enquanto ministro, inicia o processo de formulação do REUNI, muito embora tenha proposto a continuação do ministro FHC Paulo Renato!
5) É injusto não reconhecer o professor Cristovam como formulador da proposta salvacionista da gestão do professor Timothy, prontamente, aceita por ele e por grande parte dos professores. Rechaçada de pronto, por vocês estudantes!
Para não cometer injustiça com os demais reitores deixo aberta a enumeração de fatos e políticas que se situam no problema de privatização do ensino, sem antes de sugerir algumas questões para reflexão de resgate da UnB do terceiro setor:
• Retirada do Campus do batalhão da PMDF. O Campus é livre!
• Retirada do Campus do AUTOTRAC. O Campus não é extensão do PRÓ-DF!
• Desmantelamento de todas as sub-fundações. Confirmação da FUB como única fundação!
• Concurso para novos professores e funcionários. Fim da terceirização de mão-de-obra com a absorção no quadro funcional daqueles que já atuam na UnB!
• Ampliação imediata dos alojamentos estudantis, Reitoria, BCE e do RU!
• Colégio eleitoral paritário somente com professores e alunos! Chega de democratismo!
• Formação do Conselho Consultivo formado pelos ex-Reitores! A história não é um retrato na parede!

Adalto Serra
Ex-aluno da UnB