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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Marchinha da Paridade

Letra e música de Jorge Antunes
abril, 2005

"O estudante quer participar.

Os servidores querem opinar.

Três segmentos vão se somar:

os professores vão colaborar.

Paridade! Paridade!

Vão ouvir a nossa voz.

Paridade! Paridade!

É o melhor pra todos nós."

Áudio disponível em: http://www.americasnet.com.br/antunes/marcha-paridade/

domingo, 27 de abril de 2008

I Manifesto: Pela Democracia

I Manifesto:
pela democracia
"O preço da liberdade é a eterna vigilância" (Thomas Jefferson)

No dia 10 de abril, recebeu-se com certo entusiasmo a notícia de que o reitor Timothy Mulholland se afastou do cargo. Era notória, dentro e fora da universidade, a elevada rejeição pela sua permanência à frente da universidade: estudantes, servidores, professores, imprensa, sociedade civil, deputados, senadores, ministros e até o presidente da república se manifestaram nesse sentido. Timothy, contudo, permanecia irredutível, tirano e insolente, como se houvesse um direito natural a ser reitor.

Sem adentrar a espessa nuvem de fatos que envolve o desgaste de Timothy Mulholland, cabe a nós uma preocupação muito maior: o fortalecimento da frágil democracia ainda em formação no nosso país. Não logra Estado de Direito um país que não pune autoridades displicentes e denega justiça aos mais fracos.

Nosso dever com a cidadania ampla desperta-nos o sentimento de vergonha. Reconhecer a imperatividade do rule of force no Brasil nos traz pesar. Mas como ignorar casos de violência que há mais de dez anos esperam por justiça? Somente o Palace II e os massacres de Carajás, Corumbiara e Carandiru, todos da década de 90, contabilizam mais de 160 vítimas fatais. Gravidade semelhante revela o relatório da OEA que pediu o fim da impunidade nos casos de assassinatos a jornalistas: dos 23 homicídios registrados no Brasil entre 1995 e 2005, apenas 9 acusados receberam algum tipo de condenação.

E a respeito do que estamos rejeitando — corrupção, patrimonialismo e descaso com a coisa pública —, o longo histórico de impunidade é ainda mais grave. Não há analogia possível entre o Brasil e as principais democracias do mundo, porque aqui a justiça muito deixa a desejar e prima por condenar um movimento legítimo, pacífico e em defesa das estruturas democráticas. Compreendemos que a mobilização do corpo discente da Universidade de Brasília é exemplar: pela reconstrução democrática e pela imediata proteção do patrimônio público.

Noam Chomsky nos alertou que o meio mais eficiente para restringir a democracia é transferir o processo decisório da arena pública para instituições que não prestam contas. Nesse sentido, entendemos a resolução 12/2007 do Conselho Diretor que subordina a auditoria da FUB ao seu presidente, o reitor, como um golpe. A falta de transparência nos preocupa e estamos convictos de que foi o esvaziamento dos espaços democráticos da universidade que levou a UnB a essa crise.

Os estudantes superaram os desafios da lógica da ação coletiva e saíram do inconformismo. Rejeitaram a má gestão das verbas na UnB e denunciaram o anacronismo dos defensores da lei do 70-15-15. O que vivemos na UnB é destacado exemplo da lei de ferro oligarquias, com requintado processo de subversão da ordem democrática. E permanece indelével o episódio de abril de 2005, quando a reitoria de Lauro Morhy usou sua segurança para impedir os Representantes Discentes de participar do Consuni que discutiria paridade, mesmo que esses tivessem apenas 15% dos votos. Observamos, também, que mais de 20 Universidades federais[1] nas suas últimas eleições superaram esse modelo obsoleto forjado pela ditadura de 1968.

Notemos que as assembléias gerais dos três segmentos decidiram pelo afastamento tanto do reitor e de seu vice, quanto do conselho diretor. Os servidores e discentes foram ainda além e decidiram pela convocação de novas eleições.

"A educação ou funciona como um instrumento que é utilizado para facilitar a integração das gerações dentro da lógica do sistema presente e para garantir a conformidade com ele, ou se torna uma 'prática de liberdade', o meio pelo qual homens e mulheres se relacionam, de forma crítica e criativa, com a realidade e descobrem como participar na transformação do seu mundo."(Paulo Freire)

Brasília, 11/04/2008, 14:00.

Danniel Gobbi e Edemilson Cruz Santana Jr.

[1] UFT, UFAL, UFBA (40:30:30), UFPB,UFPI, UFS, UFG, UFMT, UFES, UFF, UFJF, UFLA, UFOP, UFRJ, UFRRJ, UFSCar, UFSJ, UFU, UFV, UNIFEI, UNIRIO, UFSC, UFSM.

Como fazer história

Pai é beijado pela filha na Ocupação com a mensagem
ao fundo, "Resistência Estudantil"

Por Usha Velasco*

Independentemente do desfecho, os estudantes que ocupam a reitoria há dez dias já entraram para a história da UnB. Exigiram a renúncia do reitor Timothy Mulholland (veja a postagem "Saudades de Darcy", abaixo). Tiraram os professores da incompreensível inércia e do cômodo silêncio em que se encontravam; forçaram as autoridades e as instituições envolvidas a ouvir, negociar e, principalmente, agir.

Nesse poucos dias, o reitor e o decano de administração pediram afastamento. O Ministério Público denunciou oficialmente o reitor por improbidade administrativa. O vice-reitor Edgar Mamiya, também investigado por impobridade, pediu exoneração.

Parabéns, meninos. Vocês me enchem de satisfação e de orgulho. Nós, que não temos mais vinte anos (nem trinta, para falar a verdade), precisamos de vocês, da sua alegria, criatividade, coragem. Precisamos ser lembrados da importância da indignação e, principalmente, da ação. Porque sem ação a indignação é no mínimo estéril; muitas vezes, até hipócrita.

Usha é ex-aluna e mãe de aluna daUnB
http://umaoutrabrasilia.blogspot.com/

Rebeldes com causa


Por Severino Francisco

"Nem se os estudantes da UnB tivessem ensaiado um semestre inteiro eles fariam melhor. O movimento deflagrado pela garotada brasiliense contra a suposta corrupção nos altos escalões da UnB é, desde já, neste ano de 2008, a maior celebração e a crítica mais aguda ao mítico e explosivo ano de 1968. É a maior celebração porque recupera o inconformismo dos jovens com o que é inaceitável. E é a crítica mais aguda porque, com exceção de alguns momentos de destempero, recusa a pauta da violência, da onipotência e do culto às drogas, mazelas que atingiram a geração de jovens de 1968, com efeitos até os dias de hoje. "A não-violência exige mais coragem do que a violência", nos ensina Mahtama Gandhi, o grande líder da resistência pacífica.

Até a intervenção dos estudantes, o silêncio da comunidade acadêmica sobre os fatos era ensurdecedor, ecoando em Brasília e no Brasil. Mas a tradição de resistência da instituição é muito forte e, ao envolver outros setores, o movimento dos estudantes contribuiu decisivamente para restaurar a dignidade da Universidade de Brasília.

Educamos não apenas com nossas palavras, mas também com o nosso exemplo. Quando as coisas alcançam o ponto aonde chegaram é necessário berrar: basta! É preciso convocar a bateria da Aruc, os roqueiros das garagens do Plano Piloto, os rappers da Ceilândia, os navegantes da blogosfera, os punks de periferia e os de boutique. E botar o bloco na rua, com batuque, humor e alegria, que é a maneira brasileira e modernista de mudar o mundo. Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor. Não é possível que só o crime consiga ser organizado no Brasil. Precisamos (desesperadamente) da transparência, da decência e da mobilização organizadas.

Independentemente de outros desdobramentos, o movimento dos estudantes da UnB já é um marco histórico da luta contra a corrupção no Brasil. Argumenta-se que a invasão dos estudantes à reitoria fere o estado de direito. É verdade, mas a corrupção fere mais e é tratada com leniência. Se não houvesse corrupção, não haveria invasão. Existem dois pesos e duas medidas. Para quem comete atos ilícitos, todas as regalias do estado de direito. Para os que se indignam com tais descalabros, as penas da lei. O comportamento da meninada em relação ao patrimônio público tem sido exemplar. Nada a ver com baderna. Baderna é supostamente desviar dinheiro da saúde dos índios para pagar decorações suntuosas em apartamentos, banquetes, passagens para parentes, carros de luxo ou lixeiras de R$850 . Quem teve Darcy Ribeiro como reitor, não pode aceitar isto. Darcy é o grande pajé, o grande morubixaba, desse movimento. Basta de continuísmo, basta de corrupção, Darcy para presidente em 2010!

E, por falar nisso, vamos aproveitar para ouvir o que nos tem a dizer sobre os acontecimentos outro grande brasileiro, o pernambucano Paulo Freyre (1921-1997), o mais importante teórico da educação no Brasil e um dos maiores pedagogos do século 20 no mundo. Acionemos o site http://www.sobrenaturaldealmeida.com.br/, criado especialmente para realizar entrevistas mediúnicas. Fala mestre! "Eu acho que os adultos, pais e professores, deveriam compreender melhor que a rebeldia, afinal, faz parte do processo de autonomia, quer dizer, não é possível ser sem rebeldia. O grande problema está em como amorosamente dar sentido criador ao ato rebelde e de não acabar com a rebeldia. (…) O castigo não faz isso. O castigo pode criar docilidade, silêncio. Mas os silenciados não mudam o mundo".

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Carta "Paridade Já", de Mariza Monteiro Borges

Reocupação da reitoria- em abril de 2008 os estudantes forçam a passagem da rampa, vigiada pelos seguranças da UnB, que em 2005 foram convocados em forma arbitrária pelo ex-reitor Lauro Morhy para a reunião do CONSUNI. Esta reunião estabeleceria a manutenção das regras eleitorais, incluindo a não paridade, em uma série de irregularidades, como a dificuldade do acesso de alguns conselheiros e a votação antes do horário estabelecido. Timothy, que fora vice-reitor das duas gestões de Lauro Morhy foi então eleito reitor.


Essa discussão se deu em 2005.
Primeiro a resposta, depois a carta da diretoria da Adunb.
acho que pode nos ajudar.

abraços,

PARIDADE JÁ!


Carta aberta para Doris
Mariza Monteiro BorgesProfª Aposentada do IP/UnB, Presidente da Associação Brasileira de Ensino de Psicologia

Dóris,
Mesmo aposentada, não deixei de me preocupar e de me interessar pelo que ocorre na UnB. Não resisti aos seus cinco pontos e decidi falar sobre o que você escreveu, ou melhor, expressar a minha compreensão sobre o que você escreveu.
Antes, porém, acho que é bom deixar bem claro de onde falo. Falo como ex-aluna da UnB (graduação e pós-graduação), que militou, discretamente, no movimento estudantil. Falo como ex-professora (1979 - 2002) que não se furtou a participar da gestão acadêmica nos níveis do Instituto de Psicologia, do meu Departamento, da Câmara de Graduação, do CEPE, do CONSUNI e do CAD. Falo como associada da ADUnB e como membro da diretoria da ADUnB- Seção Sindical em 2000/2001. Falo como membro da comunidade universitária, professora aposentada. Falo como membro externo, isto é, como alguém que observa o processo eleitoral sem dele participar oficial ou oficiosamente. Pelas normas em vigor, não sou elegível, não sou eleitora e não participo de qualquer grupo ou articulação em torno de algum candidato a reitor.

Ao tocar na questão do direito de votar e ser votado, saio do Campus Universitário e lembro que a democracia no país ainda precisa ser aprimorada. Pertenço a uma geração de brasileiros e candangos que só pôde experimentar o exercício da cidadania pelo voto quando já era maior de 40 anos. Conquistar ou reconquistar aquele direito foi uma longa e dura batalha que passou pelo "Movimento das Diretas" e continua em curso nos diferentes segmentos da sociedade civil organizada, inclusive no âmago dos partidos políticos.

Considero que o bem maior pelo qual lutamos, você incluída, é a democracia. Nosso compromisso com ela deve estar acima de nossas paixões, de nossas alianças, de nossos muitos interesses. Com isso, quero dizer que o compromisso democrático não deve permitir que, ao fazermos certas análises, nos esqueçamos da própria história. Se o nosso compromisso democrático é real, não podemos nos dar ao desfrute de tentar atingir alguns objetivos fazendo conjecturas que contribuem para desqualificar e desmerecer as pessoas e desrespeitar as instâncias democráticas tão duramente conquistadas. Aliás, Dóris, você parece ter clareza disso ao desejar que as lideranças políticas rendam-se à democracia. Eu não usaria rendam-se, mas essa foi, no meu entender, a sua forma de pedir respeito ao processo democrático.

Fico imaginando como seria o presente se lá pelos idos de 1984/85 a comunidade universitária tivesse se rendidoàs leis vigentes. Não esqueçamos que realizamos um Congresso Universitário com participação (paritária) de docentes, servidores e estudantes. A comunidade assumiu a titularidade do processo de escolha do reitor e estabeleceu, através do Congresso Universitário, as regras e a condução da primeira eleição direta na UnB.

Em 1985 realizamos uma eleição paritária, em dois turnos (Regulamento de Consulta visando à elaboração de lista sextupla para escolha do reitor da Universidade de Brasília,1985*).

Naquela ocasião, vigia a Lei 5.540 de 28 de novembro de 1968, revigorada pela Lei 7.177 de dezembro de 1993, no que se refere à escolha de dirigentes de fundações de ensino superior. Será que o revigoramento teve alguma coisa a ver com o período em que vigorou o AI5?. De qualquer forma, a escolha de dirigentes de universidades era prerrogativa do chefe do poder executivo, a partir de lista sêxtupla elaborada pelo Conselho Universitário.

Mesmo assim, fizemos a eleição, elaboramos uma lista sêxtupla. Acho que todos nós lembramos muito bem da luta e de todos os percalços enfrentados pela comunidade para conseguir que nossa lista sêxtupla fosse considerada pelo CONSUNI. Não foi simples, foi uma dura batalha, não conseguimos tudo o que queríamos. Julgo, entretanto, que conseguimos algo muito maior do que escolher um reitor, colocamos em curso o processo de democratização na UnB.

Aquela foi a primeira eleição, sem ela certamente não teríamos as que se seguiram. Vejamos as regras das demais:

Em 1989, eleição paritária, turno único (Regulamento da Eleição para Reitor da Universidade de Brasília, 1989*). Desta feita, o CONSUNI foi introduzido no processo, coube àquele colegiado homologar as deliberações do Congresso Universitário. O processo democrático de escolha de dirigentes institucionaliza-se. A participação da comunidade universitária no processo de escolha do reitor era reconhecida, tinha a chancela do colegiado máximo da instituição.

Mudamos nossas práticas, as leis continuavam as mesmas desde 1968.

Em 1993, o CONSUNI estabeceu as regras do processo eleitoral (Resolução CONSUNI 004/93 de 12 de maio de 1993*), eleição paritária, dois turnos. Consolidava-se a institucionalização do processo eleitoral. E as leis? Estas continuavam as mesmas!

1997, grandes mudanças, o Colégio Eleitoral Especial (CONSUNI+CEP+CAD) regulamenta a consulta, turno único e 70, 15, 15 foram os pesos dos votos dos três segmentos. Agora, sim, entrara em vigor a Lei Paulo Renato (Lei 9.192 de 21 de dezembro de 1995*, regulamentada pelo Decreto 1.916 de 23 de maio de 1996*) e nossa prática ajustava-se a ele. Garantimos o peso de 70% para a manifestação do corpo docente. Nos demos a liberdade de fazer a votação uninominal como determinava a legislação, escolhemos chapa.

2001, turno único e 70, 15, 15 ,quase repetimos o processo anterior, com uma alteração, o CONSUNI estabeleceu as normas e a composição do Colégio Eleitoral Especial foi alterada, dentro, é óbvio, da lei.

Nossa história de obediência e submissão, Dóris, é bem recente, assim com é recente esse esquema 70/15/15 nas eleições. Não temos o direito de fazer crer que sempre foi assim ou tentar convencer a comunidade de que propor algo diferente é pura artimanha política. Não, não é só isso, temos uma história de eleições paritárias, temos princípios que sustentam esta posição, isso é escolha política. Quanto aos dois turnos, todas as vezes que ele foi previsto, teve como objetivo legitimar o processo eleitoral, veja as normas e você verá que assim foi.

Com relação aos estudantes, fiquei indignada com a sua sugestão de que estariam sendo manipulados pelos dirigentes da ADUNB ("Qualquer pessoa presente pode ver que alunos-conselheiros comandavam - sob constantes trocas de conversas com dirigentes da ADUnB"). Pensei ter entrado no túnel do tempo e estar revendo cenas de triste lembrança. O cordéis dos marionetes que outrora diziam que partiam de Pequim, Moscou e Havana, agora estão na mão do sindicato. No passado, o argumento era dos militares, hoje é usado por uma professora que eu acreditava progressista. E os estudantes? Continuam sendo desrespeitados, como se incapazes fossem. Há mais de quatro décadas a pauta do movimento estudantil tem mantido alguns pontos que continuam em aberto: autonomia universitária, ensino público e participação na estrutura de poder da universidade. Quem mesmo tem sido incapaz?

Ouso pensar que como professores universitários deveríamos ter muito cuidado com as palavras. Sabemos perfeitamente que não são neutras, que podem esconder ou repetir a história e desqualificar o coletivo e revelar nossos preconceitos. Além de tudo que já comentei, não havia uma outra palavra, com menor carga de preconceito, que pudesse ser usada em substituição ao "denegrir" que você usou?
Com o meu lamento,

Mariza Monteiro Borges
*Tenho cópia de todos os documentos assinalados com asterisco.

2008, o ano em que 1977 terminou.

A rampa de acesso ao primeiro piso da reitoria da Universidade de Brasília estava interditada. O grupo de 150 estudantes que ocupara a reitoria da UnB no dia 3 de abril permanecia no prédio, exigindo a demissão do reitor. O protesto principal dos alunos era contra desvio de finalidade na aplicação de recursos destinados a pesquisa científica para a compra de objetos de decoração de luxo e utilizados na reforma do apartamento utilizado para moradia do reitor. O bloqueio dos alunos à entrada da reitoria estava demarcado por uma placa que solicitava "apresente a carteirinha de estudante" como passaporte para ingressar nos pisos superiores da reitoria. Em respeito à advertência, parei junto à placa e perguntei às duas estudantes que ali faziam a sentinela se eu informasse apenas o número da minha matrícula de aluno da UnB do ano de 1976 valia, explicando a elas que eu não portava a minha carteirinha de estudante emitida 32 anos antes. Elas não entenderam de imediato o meu questionamento, e eu logo percebi que elas tinham mesmo lá os seus motivos.

Afinal, naquele encalorado final de tarde de sexta-feira, 11 de abril, a pergunta vinha de um inusitado grisalho engravatado, que soava estranho num ambiente de meninas recém púberes e de meninos com a barba rala e por fazer, acampados há oito dias no revestimento de borracha preta que faz as vezes de piso nos corredores da reitoria da UnB. Em meio aquele woodstock universitário eu era ali um cinquentão em terno de risca de giz. As meninas guardiãs da entrada do prédio reservada apenas aos estudantes nunca tinham me visto antes. Nem em salas de aula, assembléias ou nos atos coletivos disparados desde a ocupação da reitoria. Poderiam elas confiar o acesso ao prédio ocupado para aquele senhor que, antes de se aproximar à entrada da rampa, vagara por alguns minutos por entre as barracas em formato de iglu em que os estudantes dormiam, que caminhara ao meio dos rolos de papel craft utilizados para pintar palavras as frases de protesto, como que a contemplar o cenário de um conflito?

Não me demorei mais que dez ou quinze minutos na minha visita à reitoria ocupada pelos estudantes. Melhor dizendo, na visita anônima e solitária que realizei para conhecer mais de perto aqueles estudantes que, rompendo com a tradição macunaímica entranhada na cultura brasileira de se querer levar vantagem em tudo, e de se evitar a denúncia ou a contestação de fatos relacionados a malversações na esperança de que o silêncio conivente leve à possibilidade de também ficar com um pedaço do butim, e que surpreendentemente se apresentaram à sociedade brasileira como defensores de uma ética republicana na condução dos negócios públicos.

Sim, pode ser difícil de se compreender aqueles estudantes à primeira mirada. Não foram os professores dos departamentos de filosofia, direito, sociologia ou assemelhados os primeiros a se rebelar no campus contra as condutas que o Ministério Público apontava como não adequadas na gestão de órgãos da UnB, como também não partiram de parlamentares ou sindicalistas até então alinhados com a bandeira da educação as iniciativas de um posicionamento absoluto por uma ética radical.

Aos jovens estudantes em ocupação da reitoria o aconselhamento primeiro que viera da casta professoral, da corte parlamentar e de instâncias administrativas superiores fora de um conformismo atávico. Os argumentos preponderantes eram de que à ilegalidade não se chegara na gestão daqueles recursos públicos destinados à educação, ainda que se pudesse discordar no campo moral sobre as escolhas feitas na aplicação dos mesmos. Os doutos, as Vossas Senhorias e as Vossas Excelências afirmavam aos alunos que as questões em denúncia pelo Ministério Público não eram de ordem legal, mas sobretudo de natureza ética, e que assim deveriam ser discutidas. Pobres aprendizes, aconselhados naquela circunstância por alguns de seus ilustres mestres a se consolarem com uma possibilidade infinita de tergiversações sobre se o que não é ilegal mas se apresenta como antiético seria ou não passível de contestação.

Eles não se conformaram e fizeram com a ocupação a sua própria hora acontecer. E foi com a alegria de ouvir aquele retumbante não que os estudantes pronunciaram com o seu gesto de ocupação ao mesmo tempo pacífica e radical que percorri o pequeno trajeto entre o estacionamento e o prédio da reitoria. Quando finalmente me aproximei do prédio alguns deles estavam lavando com água e sabão o prédio da reitoria, dois ou três ao violão ensaiando acordes de Renato Russo, outros em leitura e muitos com olheiras das noites mal acomodadas.

Entrei no túnel do tempo e vi ali flashes da greve de estudantes do ano de 1977, na mesma UnB. Naquele ano, muito ao contrário da República Livre pela Ética proclamada pelos estudantes de 2008, o campus da UnB foi ocupado por centúrias, talvez um milhar de policiais que, por solicitação do reitor e com aval do Palácio do Planalto passaram a espionar, intimidar e a reprimir os estudantes em greve naquele período. Eu confesso que tive dificuldade em identificar as sensações que me vinham naquele caminhar. Trinta anos depois tudo estava muito ao contrário na Universidade de Brasília. Ao contrário de um reitor plenipotenciário protegido por seguranças e alimentado de informações sobre o movimento estudantil por toda sorte de instrumentos, inclusive de fotos tiradas por teleobjetivas postadas no alto da reitoria para identificar os alunos que se reuniam a trezentos metros dali no teatro de arena, o edifício da reitoria estava naquele instante sob controle pacífico daqueles jovens universitários.

Em 1977 eu cursava o quarto semestre de agronomia, e fazia parte do Centro Acadêmico Agro-Flô, que representava também os alunos de engenharia florestal da UnB. Recém calouro, eu apoiava as lideranças do Centro Acadêmico durante a greve ora pintando faixas, ora convocando e participando de mobilizações da greve que realizávamos em prol da anistia política, da redemocratização do país e de bandeiras difusas pela autonomia universitária, entre elas a escolha do reitor pela comunidade acadêmica. Não tínhamos denúncias concretas contra o reitor José Carlos Azevedo. O protesto era político e nacionalmente articulado. Mas, na universidade, o então reitor simbolizava o regime, e por isso caminhávamos minhocão afora com os bordões de "a greve continua, põe o capitão na rua", e outros tantos até que o campus, inicialmente ocupado por um conjunto de falsos alunos travestidos de hippies fora de moda que a tudo vigiavam e que se calavam à primeira tentativa de conversação, por fim oficialmente ocupado pela polícia. Aos soldados contrapunhamo-nos apenas cantando o Hino Nacional e o Hino da Independência com a bandeira do País à frente dos manifestantes.

Ficou na memória coletiva a imagem do King Kong, alcunha com a qual identificávamos um policial escolhido pelos estudantes para tipificar o padrão da ocupação. A memória distante faz ternos até os momentos mais difíceis pelos quais passamos, onde as polaridades se desvanecem e uma bruma de poesia toma conta.

Perdemos aquela greve, foi a minha impressão à época. O reitor puniu mais de 50 estudantes, alguns deles com a expulsão. O conselho universitário foi convocado para analisar as punições e, para desconsolo dos estudantes e de uma parte dos professores, endossou os feitos da reitoria. Um sem número de estudantes em desencanto ou em fuga da repressão desencadeada não retornou às aulas, eu entre eles. Abandonei o curso e a instituição. Mas, por estranho desígnio, guardo até hoje a minha carteirinha e sempre soube de cor o número da minha matrícula na UnB. Naqueles meus 18 anos eu não aceitava que as punições estivessem endossadas pelo que seria o órgão maior da instituição, não concordava com o progressivo retorno às aulas pela maioria dos alunos, e também não aceitava o discurso parlamentar de nossos interlocutores no Congresso Nacional que nos consolavam afirmando que os objetivos tinham sido alcançados, como se a greve tivesse sido vitoriosa. Tudo era muito intangível para mim, e argumentei que ao invés de continuar o estudo da agronomia eu deveria buscar o conhecimento do comportamento e da alma humana. Fiz vestibular no CEUB, Centro Universitário de Brasília, e me formei em psicologia. Em verdade sem nunca ter encontrado respostas para as perguntas que eu me fazia naquele segundo semestre de 1977.

Foi com este pequeno filme a me passar na cabeça que cheguei ao pé da rampa de acesso à reitoria ocupada pelos estudantes. Eu os observava ora como pai, ora como grevista de 1977. O que aqueles jovens estudantes pediam em 2008 era em muito superior às nossas reivindicações de 1977. Mesmo a simbologia do ato reivindicatório de literalmente ocupar a reitoria, sem violência ou vandalismos superava o nosso protesto peripatético de caminhadas pelo campus, de reuniões em anfiteatros ou de assembléias no teatro de arena em 1977. Sim, é preciso considerar que em 2008 os estudantes puderam contar em seu protesto com as garantias constitucionais do estado de direito que pleiteávamos em 1977. A maioria dos alunos em ocupação da reitoria em 2008 nasceu já com a democracia em consolidação, experimentaram o voto para presidente aos 16 anos, puderam participar de eleições para reitor e da discussão sobre políticas públicas de educação, e que ao lado da anistia política eram nossas bandeiras três décadas atrás. A falta de bandeiras políticas pelas quais os estudantes pudessem se bater foi apontada durante os anos de 1980 à década de 2000 como fator de desmobilização dos movimentos estudantis durantes os anos da democracia, chegando mesmo ao controle de organismos de representação lideranças simplesmente aderentes aos governos de plantão, com reivindicações que não ultrapassavam o chavão de 'mais verbas para a educação', inclusive verbas para sustentar o próprio movimento, e que assim se despersonalizava.

Porém, algo de novo, algo de diferente se passava com aqueles estudantes ali na UnB. Junto à rampa troquei as minhas poucas palavras com as duas alunas que cuidavam do controle de entrada. Meio minuto depois de eu ter perguntado se eu poderia entrar, mesmo sem a carteirinha exigida como salvo-conduto, não sei bem o porquê elas me acreditaram como ex-aluno e colega de 1977, e também como pai de uma aluna de 2008 que estivera com elas em vigília numa das noites de ocupação. Talvez me tenham lido os olhos ou a alma e percebido que a minha missão era de paz. Mesmo com o convite delas optei por não subir. A visita no piso térreo já me tocara por demais.

Uma das alunas ao pé da rampa estudava Física, e a outras Ates Cênicas. Elas não tinham outras reivindicações que não fossem a da busca da correição no exercício da função pública. Não tinham discursos decorados ou estruturas de argumentação ideologicamente padronizadas. Não eram contra e nem a favor do governo, não passava por estes caminhos previamente pavimentados o protesto delas. A razão do protesto viera da indignação dos estudantes e de suas famílias, a razão estava na busca por uma ética que elas consideravam possível e adequada, ainda que a muitos parecesse perdida ou ultrapassada. De saída, perguntei a elas o motivo de terem escolhido os cursos que faziam. Não me vejo fazendo outra coisa na vida, respondeu uma de nome Maritza. Com esta frase a me ecoar caminhei de volta ao estacionamento, meio que chorando e rindo baixinho, de orgulho daquela meninada.

No domingo, 13 de abril, a notícia de que o reitor da UnB havia renunciado ao cargo, assim como o vice-reitor o fizera no dia anterior. Eu fiz as contas e percebi que em apenas dez dias um grupo inicial de 150 alunos derrubara a reitoria de uma das mais importantes universidades brasileiras. Não quebraram um único vidro. Não viraram ou incendiaram carros. Nem mesmo palavras de ordem que pudessem contagiar multidões em passeatas eles as tinham nas faixas de papel que grudavam com fita crepe nas paredes. Eles pediam e diziam simples e radicalmente ética. E venceram. Por impensado que pareça.

De certa forma, talvez para o meu conforto na busca das respostas que desde há muito eu procuro, fiquei com a impressão de que 2008 foi o ano em que 1977 terminou.

Meninos e meninas deste feito, muito obrigado.

João Vianney.
Ex-aluno da UnB. Matrícula 76/02251

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Ocupe, Reflita e Resista

Estudantes do futuro
que querem fazer da Universidade Brasileira um lugar seguro
seja você um porta bandeira
ou seja só em suas próprias idéias

Perceba, localize na história
similaridade ao que aqui acontece
Símbolos foram derrubados pela construção coletiva no cotidiano
e se o mal do qual a universidade padece hoje é quem cai
e a comunidade decide quem entra e quem sai,
é por causa da açâo direta de quem ocupa

Num lugar onde a voz do indivíduo é ouvida
e o poder é horizontal
num ponto de observação crucial
Muitos ainda aprendem a caminhar
bandeiras se calam para ouvir, sem deixar de balançar
é sua oportunidade amigo, é a sua vez irmão
de construir o universo do País
com a força da sua mão,
as loucuras da sa cabeça,
o fogo do seu coração.

Veja à sua frente a oportunidade de presentear o seu país
com uma nova Universidade
O seu futuro e o de seus filhos são palpáveis agora
Pra quem não acreditava que a hora haveria, esta é a hora
Ter paridade e flexibilidade são nossa responsabilidade

Ocupe todas as salas com o debate
Ocupe departamentos e faculdades com seus desejos
Ocupe as mentes de colegas, professores, alunos e servidores,
Venha construir, não se omita
Ocupe e reflita, ocupe e resista.

David Ramos
e-mail: mel_txt@yahoo.com.br

Os estudantes hoje mostram a que vieram

Há alguns anos não víamos mobilizações tão intensas e politizadas no campus da universidade de Brasilia. Uma pauta que organizou muitos estudantes e trouxe grande unidade mesmo entre os que têm posições diferentes, tomou conta das paredes e dos jornais da cidade e do país, certamente merece ser olhada com atenção.

O projeto original da UnB foi abortado pelo golpe militar de 64. A universidade que deveria abrigar a diversidade de pensamento, de orientações ideológicas e assim pensar um projeto para o país foi transformada em uma simples autarquia administrada pela Marinha durante alguns anos. Uma instituição do conhecimento voltada para as questões concretas do povo, preocupada em responder aos problemas cotidianos, a serviço da nação. Essa instituição foi enterrada. Primeiro pela Ditadura Militar com sua intervenção autoritária e as seguidas invasões do campus e desde então, a UnB que Darcy sonhou, é enterrada todos os dias. Agora não mais pela ditadura do fuzil que prendia, expulsava e torturava mas pela ditadura do mercado que submete tudo a lógica do lucro, que negocia o preço e vende o saber que se pretendia de todos.

Nos últimos anos a Universidade de Brasília foi transformada em uma grife, com valor de mercado e que gera lucro para serem usados de forma privada, em jantares, reformas, presentes. As denúncias em torno da reitoria explicitam a lógica privada que tem sido mantida durante anos pela administração.

O que alguns achavam ser um clichê quando dizíamos que a universidade pública seria privatizada tornou-se realidade, a UnB foi, e continua sendo privatizada toda vez que seus recursos e patrimônio não são usados de forma pública, toda vez que estão a serviço de algum interesse privado, seja do reitor ou de outra pessoa.

A crise que tomou conta da universidade é antes de tudo uma crise da falta de democracia. A democracia é a prática da participação no espaço publico, é espaço de todos, da liberdade. Toda vez que algo que, por definição deveria ser gerido no universo público, é trazido para o privado isso deixa de ser democrático. Uma gestão, como as que temos visto, que tem suas decisões tomadas na presença poucos entre 4 paredes não é democrática e conseqüentemente não é publica.

A luta dos dias de hoje é em defesa de Unb que tem sido atacada, não pela mídia como alguns tentam dizer, mas sim pela atual administração. Defender a UnB pública significa defender a democracia na sua gestão. Durante a campanha pelas Diretas Já o slogan usado era O Brasil quer votar, muitos anos depois ainda é necessário que digamos Os estudantes querem votar. A reivindicação é por poder sim. Vamos juntos conjugar esse verbo, Eu posso.. , Tu podes ..., Nós podemos os estudantes podem participar, podem votar,PODEM decidir.

Os estudantes mais uma vez mostram a que vieram. Vieram lembrar a todos do que a UnB é feita. Lembram que é feita do livre pensamento dos que estão convictos de que apenas mentes libertas podem enfrentar a opressão. É feita também do suor dos trabalhadores que construíram e ainda constroem o dia a dia do campus. Mais do que isso, nossa universidade não seria o que é sem o sangue e a luta daqueles que acreditam na participação, que acreditam na UnB viva, sempre viva.

A UnB não pertence a esse ou ao próximo Reitor. A Unb é nossa, é de todos os estudantes. A universidade é de todos, é pública.

Viva a luta dos estudantes!
Viva e universidade de Brasilia!
Boa luta para todos nós!

Por Sarah de Roure, ex coordenadora geral do DCE Unb nas gestões 2002-2003 e 2003-2004 e ex diretora da UNE 2005-2007 .

Moção de Apoio SINTUFEPE/UFRPE

"REALIDADE DA LUTA"

A dança das verbas públicas;
Desviadas nas fundações de apoio;
Contaminam pesquisas e extensões;
Das diretrizes e objetivos maquiados;
No embelezamento das coberturas, mansões;
Das festas noturnas contrariadas;
Com dinheiro sujo da cultura;
Dos "Ali-babás" da educação pública;
As investigações não podem parar;
A devolução é retroativa obscura;
Do dinheiro roubado aplaudido;
Por falsos ciêntistas reitores;
Eleitos em processos duvidosos;
Esse vírus permanece ativo;
No seio das comunidades universitárias;
Eleições são manipuladas;
Nos 70 - 15 - 15;
É a mágica da fada malvada;
Cinderelas do castelo estudado;
Nos bolsos encontram-se roedores;
Livres da varinha de condão;
Para não caírem nas prisões;
Conseguem sensibilizar na televisão;
Os malefícios sociais são esquecidos;
Marginalidade e miséria não são vistos;
A liberdade de todos é complicada;
Aos estudantes da UNB;
Também estamos nesta empleitada!

Saudações Sindicais!

Luiz Carlos

Sintufepe, 15 de abril de 2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

Cordel do Novo Movimento Estudantil

A UnB acordou:
E saiu da letargia...
Estudantes despertos:
Acenderam a rebeldia...
Detonaram a corrupção:
Que tomava a reitoria...

Derrubaram os corruptos:
Desejam a paridade...
É preciso sangue novo:
Ética-seriedade...
Ter decência na docência:
Em nova Universidade...

Pra se resolver a cri$e:
Arte-criatividade...
Inovação-resistência:
Persistência-Liberdade...
Novo tempo - Nova Era:
Amor-Solidariedade...

Mudar o mundo tirano:
Preservar a Natureza...
Leitura é fundamental:
A fome não é beleza...
O povo quer estudar:
Quer saúde sem tristeza...

Lixeira...Luxo no Lixo:
Verba da Educação...
O dinheiro da pesquisa:
Foi parar na contra-mão...
Fazem a maracutaia:
Cadê a licitação?!...

O Movimento da UnB:
Demonstrou maturidade...
Talento e consistência:
Ação-sensibilidade...
Me lembra 68:
Tempo que deixou saudade...

A UnB desperta:
Dá-me a felicidade...
Gostei de ver a galera:
Na luta e com vontade...
Talento, garra e prazer:
Mudam a sociedade...

Honestino presente:
Movimento Estudantil...
Por mudança social:
Trans.formação no Brasil...
Educação e Cultura:
Mais arte, menos fuzil...

Chega de vestibulárido:
Acabe-se o elitismo...
Educação para o povo:
Chega de clientelismo:
Basta à corrupção:
Para que tanto abismo?!...

Che, Lennon, Gandhi, Raul:
Sociedade Alternativa...
Os Hippies deram o sinal:
Pra comunidade ativa...
Chega de monetarismo:
Pra alma não ser cativa...

Capitalismo em cri$e:
Mundo em ebulição...
A Palestina invadida:
África na escravidão...
Fome, miséria e Aid$:
É a globalização...

É guerra pelo petróleo:
Polititica monetária...
A mídia ganha bilhões:
Com a guerra publicitária...
A educação incomoda:
A elite reacionária...

Esqueceram dos livros:
Saboreiam caviar...
A poesia foi pro lixo:
A grana foi para o ar...
Dinheiro pra educação:
A coisa tem que mudar...

Preservemos o Planeta:
Cadê a Ecologia?!...
Reforma Agrária urge:
Terra, teto, fantasia...
Aquecimento global:
Põe água na poesia...

Revôolução permanente:
Marx, Nietzsche, Josué...
Geografia da Fome:
Paulo Freire é que é...
Darcy, Rosa e Anísio:
Nessa gente tenho fé...

Ciência-sabedoria:
Ante o apocalipse...
Sintaxe-cálculo-palavra:
Subverte a elipse...
Revelação para o ser:
Claridade no eclipse...

Continue-se o movimento:
Consciência cultural...
Poesia à flor da pele:
No cordel transcendental...
Naturezarte-poesia:
Mudança educacional...

de Gustavo Dourado

Melô do Titi

domingo, 13 de abril de 2008

Me Gustan Los Estudiantes

De Violeta Parra & Mercedes Sosa

Que vivan los estudiantes,
jardín de nuestra alegría,
son aves que no se asustan
de animal ni policía.
Y no le asustan las balas
ni el ladrar de la jauría.
Caramba y zamba la cosa,qué viva la astronomía!

Me gustan los Estudiantes
que rugen como los vientos
cuando les meten al oído
sotanas y regimientos.
Pajarillos libertários
igual que los elementos.
Caramba y zamba la cosa,
qué vivan los experimentos!

Me gustan los Estudiantes,
porque levantan el pecho
cuando les dicen harinas
abiéndose que es afrecho.
Y no hacen el sordomudocuando
se presente el hecho.
Caramba y zamba la cosa,
el código del derecho!

Me gustan los Estudiantes,
porque son la levadura
del pan que saldrá del hornocon
toda su sabrosura.
Para la boca del pobre
que come con amargura.
Caramba y zamba la cosa,
viva la literatura!

Me gustan los Estudiantes
que marchan sobre las ruinas,
con las banderas en alto
pa' toda la estudiantina.
Son químicos y doctores,cirujanos y dentistas.
Caramba y zamba la cosa,
vivan los especialistas!

Me gustan los Estudiantes,
que con muy clara elocuencia
a la bolsa negra sacra
le bajó las indulgencias.
Porque, hasta cuándo nos dura
señores, la penitencia.
Caramba y zamba la cosa,
qué viva toda la ciencia!
Caramba y zamba la cosa,
qué viva toda la ciencia!

PS. muito agradecidos pelo e-mail enviado por Cardoso Neto.

sábado, 12 de abril de 2008

Sejamos realistas, peçamos o impossível

Queridos/as e aguerridos/as estudantes,

Nesse ano comemoramos 40 anos dos movimentos de maio de 68, quando 10 milhões de trabalhadores e estudantes foram protagonistas das lutas que questionaram os valores capitalistas, defenderam a emancipação humana e a reestruturação radical do trabalho e da educação, na perspectiva de assegurar trabalho para todos/as e uma formação verdadeiramente humana e não meramente tecnocrática e quantitativa, determinada e instrumentalizada pelo mercado. A expansão desmesurada e sem qualidade de cursos de graduação à distância e as reestruturações universitárias que precarizam o ensino e a pesquisa nos mostra que os dilemas de maio de 68 são absolutamente atuais e exigem de todos/as nós o engajamento nas lutas coletivas pela defesa do direito à formação com qualidade para todos/as.

Me somo a vocês na luta em defesa da Universidade de Brasília, e os parabenizo pela resistência e engajamento nas lutas coletivas, o que tem sido cada vez mais difícil nesses tempos em que impera o individualismo.

Abraço com admiração

Ivanete Boschetti
Profa. do Departamento de Serviço Social - UnB

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Painel Brasil TV entrevista Promotor Ricardo Souza sobre a crise na UnB

E-mail enviado pelo Professor Marcelo Hermes:

"Olá amigos
Promotor Ricardo Souza (MPDF) fala para Painel Brasil TV sobre a crise na UNB:
- Explica os problemas das fundações de apoio, Finatec inclusive
- Fala da gestão do Prof Lauro e sua relação com as fundações ("erros que se repetiram pelo Timothy)
- Fala sobre o caso Funsaude-Funasa versus saúde de povos indígenas (caso gravíssimo)
- Fala sobre o predio "mal assombrado" da Fubra
- Finalmente, e dá sua opinião pessoal (como cidadão, e não como promotor) sobre a ocupação do predio da reitoria, e explica a origem da motivação desta "rebelião" dos alunos

- Vale a pena assistir:
o video dura 34 min e pode ser visto no site abaixo: http://www.painelbrasiltv.com.br/
aqui vai a URL da video-entrevista: http://www.painelbrasiltv.com.br/novo/Entrevistas/index.asp?Programa=2&Entrevista=679&TipoVideo=3
abraços
Marcelo Hermes

ps: a entrevista foi ontem de manha, bem cedo, ANTES da notícia do afastamento do reitor."